Os pássaros nostálgicos... Errantes,
mágicos do crepúsculo, soprando
das longas asas trémulas o brando
vento da tarde; e logo, em céus cambiantes
alvos bicos de pluma tão distantes
e efémeras imagens modelando:
sereias e hipocampos, entre o bando
de carneiros, e rosas, e elefantes,
cães e estrelas, dragões, ou aguçadas
torres, na superfície roseoviva
por onde voga, acesa, a caravela
e nas longas asas captam, retesadas,
a poesia da tarde, fugitiva,
mas eterna no instante em que foi bela.
Waldemar Lopes

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