SIRIPIPI

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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O QUE DIZ A MORTE

Alfredo Margarido, nasceu a 5 de fevereiro de 1928 em Moimenta e faleceu a 12 de outubro de 2010, Portugal



Deixai-os vir a mim, os que lidaram; 
Deixai-os vir a mim, os que padecem; 

E os que cheios de mágoa e tédio encaram 

As próprias obras vãs, de que escarnecem... 


Em mim, os Sofrimentos que não saram, 
Paixão, Dúvida e Mal, se desvanecem. 
As torrentes da Dor, que nunca param, 
Como num mar, em mim desaparecem. - 

Assim a Morte diz. Verbo velado, 
Silencioso intérprete sagrado 
Das cousas invisíveis, muda e fria, 

É, na sua mudez, mais retumbante 
Que o clamoroso mar; mais rutilante, 
Na sua noite, do que a luz do dia. 
Antero de Quental

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