Ergui a taça do
vinho e num só gole
Traguei a essência das palavras, engoli
Gota-a-gota as
frases deslizaram-se adentro
Sereno, repudiei
as faces carentes de alento
Ergui a voz e
soltei as frases dilacerantes
As palavras que
ansiavam, escutaram, inertes.
Os gestos
imobilizaram-se, olhares húmidos!
Do verbo,
deslizei-me então nos gerúndios:
Querendo, lutando,
acreditando, negando
Provoquei,
invocando o medo sonegado
Dos murmúrios pedi
barulho, agitação
Dos olhares vagos
se projectaram acção
Ergui o olhar e
vislumbrei um céu nubloso
O prenúncio de uma
noite no fundo do poço
Invoquei as
divindades num parco discurso
E fez-se luz!
Escolhemos outro percurso!
Waldir Araujo

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